Que feio… carro de reportagem flagrado obstruindo rampa para cadeirantes

que feio.fwUm usuário do Facebook publicou um flagrante de desrespeito às pessoas com deficiência: um carro de reportagem do site Campo Grande News, foi fotografado, aparentemente, estacionado em frente a uma rampa para cadeirantes.

O post acabou sendo compartilhado por mais de 100 pessoas, em apenas duas horas de publicação. Na legenda das fotos, o usuário manifesta sua indignação: “Senhores da verdade!!! Imagina se fosse uma viatura da polícia, um veículo do município, veículos do judiciário ou de alguém que parou para atender o telefone? Estacionado em frente à rampa pra cadeirante e guia para deficientes visuais?

Quem compartilha o post, acrescenta comentários criticando a hipocrisia do referido site, que comumente publica matérias com esse teor (“flagrantes” de pessoas comuns e carros oficiais), mas cujos colaboradores acabam incidindo no mesmo tipo de conduta reprovável.

Indignação Geral

Um dos usuários que compartilhou o post original, ao se manifestar, aponta uma suposta “parcialidade” da linha editorial do referido portal de notícias: “Veículo de site de notícias que costuma exaltar BANDIDO e CRITICAR ações Policiais é flagrado estacionado enfrente rampa para cadeirantes e guia para deficientes visuais. Belo exemplo em CAMPOGRANDENEWS!

Uma outra usuária, recorre à ironia, usando o slogan do próprio site, para criticá-lo: “A Notícia da terra a um clique de você!“. Já outro usuário, conclama seus amigos: “Vamos compartilhar gente esse pessoal inútil gosta de falar mal de todo mundo e agem errado o tempo todo“.

Leia abaixo alguns comentários:

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Reprodução do post original: mais de 100 compartilhamentos, em menos de 2 horas.

Reflexão

Há algum tempo que os jornalistas reivindicam para si, o papel de “quarto poder”: além dos Três Poderes “oficiais” — Executivo, Legislativo e Judiciário — a imprensa exerceria, em regimes democráticos, o papel de fiscalizador de todos os poderes, sempre pautado pelo respeito ao público e privado, buscando a verdade dos fatos.

Contudo, nos últimos anos, os meios de imprensa tradicionais (especialmente jornais e revistas) perderam relevância, no dia a dia das pessoas; e portais eletrônicos de notícias começaram a ocupar espaços, cada vez maiores, no cotidiano de quem busca informação.

Se, por um lado, nos treze anos de governos petistas, assistimos uma pequena horda de “jornalistas” serem beneficiados com a “maior fatia do bolo” das verbas oficiais de publicidade (além do próprio Governo Federal, inclui-se também todas suas estatais; de modo especial, Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, etc); de outro lado, com as redes sociais, as informações passaram a transitar numa velocidade ainda maior.

Em tempos de Whatsapp, Facebook, Instagram e Twitter, cada usuário passou a ser um produtor de notícias.

As pessoas são, ao mesmo tempo, consumidores e produtores de notícias; o papel de leitor e comunicador, mais das vezes, se confundem no mesmo indivíduo. E os meios tradicionais e eletrônicos se renderam a essa realidade: cada vez mais, é comum assistirmos fotos e vídeos “enviados por leitores” por meio de aplicativos para dispositivos móveis.

Contudo, a pressa em se “divulgar” um fato, antes do concorrente, acabou por criar um novo dilema para o jornalismo:

  • Publicar a notícia, para poder faturar em cima da “exclusividade” (que em tempos de internet, é efêmera; em instantes, outros sites passam a reproduzir o conteúdo)?
  • Ou esperar para publicá-la, após a devida apuração dos fatos, correndo-se o risco de “perder o furo de reportagem”?

Infelizmente, cada vez mais os meios de imprensa têm optado pela primeira opção; e a não apuração, muitas vezes, acaba expondo pessoas comuns ou agentes públicos, a situações que podem desencadear não apenas o constrangimento público, como também, prejuízos de toda ordem.

Linha Editorial

A julgar pela linha editorial adotada pelo referido jornalístico, fica patente a sua opção pelo “politicamente correto”, amplamente criticado por setores da sociedade: “presidiários” viram “internos” em matérias sobre rebeliões; “bandidos” viram “suspeitos”, em notícias sobre prisão em flagrante; policiais que “reagem”, acabam sendo retratados como aqueles que “atiraram”.

Muitas notícias contendo “flagrantes” mostram alguma viatura oficial que estava “parada” em local proibido ou situação irregular…

Mas vamos pensar? Ocorre que, ao ser fotografada naquele instante (que pode ter durado apenas alguns segundos, suficientes para o embarque ou desembarque, por exemplo), o fato pode acabar sendo distorcido; e acaba sendo noticiado que a mesma estava “estacionada”.

E tal distorção, muitas vezes, não é possível de ser “apurada”, apenas pela análise de uma imagem estática (fotografia). Contudo, ao escolher publicar o “flagrante do leitor”, o Campo Grande News e outros sites eletrônicos acabam priorizando o “dar a notícia em primeiro lugar” (ou como diz seu slogan, na velocidade de “um clique”).

Minha família mesmo, já foi vítima de uma dessas “reportagens” — que deixo claro, não foi publicada pelo Campo Grande News, mas sim, por um de seus concorrentes: uma vizinha desafeta, resolveu “denunciar” o fato de nossa casa estar “abandonada”. Em sua cabeça, a culpa dela ter sido acometida pela dengue só podia ser nossa: o “foco” dos mosquitos, na sua cabeça, era nossa casa.

E dá-lhe a “equipe de reportagem” — apenas um modo de dizer: mais das vezes, é um estagiário munido de uma câmera digital, que se desloca até o local para fazer a “cobertura”) — ir até nossa casa e invadir nossa privacidade (!!!),  publicando fotos tiradas pelas frestas do portão!!!

Na referida matéria, o material de construção (brita, cimento, cerâmicas) devidamente acomodados em local protegido de chuva e sol (estavam — e ainda estão — na garagem da casa, que é coberta, sobre qual existe o piso de um sobrado em edificação, devidamente telhado) virou “entulho a céu aberto” e “foco de mosquito”.

A despeito de ter visto que o material estava acomodado, e que não havia nada de irregular, o “jornalista” enxergou “focos de mosquito” — atenção, Fundação Osvaldo Cruz: o aedes egypit agora se posta seus ovos no seco!!! — porque, afinal, ele precisava “ter pauta” e justificar seu tempo e deslocamento.

Ocorre que, passado alguns dias, um agente de saúde foi até nossa casa e NADA encontrou de irregular. Nada. Zero larva de mosquito!!! Mas as goiabeiras plantadas no quintal da referida vizinha, estavam com seus galhos atravessando o muro e derrubando frutos no chão do nosso quintal.

Só faltou ela nos culpar pelas moscas… e dizer que a obrigação de podar tais galhos era, é claro, nossa…

Conclusão

O caso que eu narrei acima, que aconteceu conosco, pode acontecer com QUALQUER PESSOA. Recentemente, a reputação de um estabelecimento comercial foi profundamente abalada por um “post” feito em um grupo destinado a “reclamação” de “consumidores” insatisfeitos, no qual o suposto consumidor teria comprado um purê de batata, que teria vindo com uma barata.

Ato contínuo, um repórter de um site — por sinal, o mesmo portal de notícias que publicou a infame “denúncia” da minha ex-vizinha desafeta — escreveu uma matéria baseada naquele post; e o site, resolveu “bancar a pauta” (é como se diz, no jargão jornalístico, quando um veículo de imprensa “assume os riscos” de publicar uma matéria, ainda que não esteja devidamente apurada).

Seguiu-se um verdadeiro “linchamento virtual” do estabelecimento comercial e de seus proprietários, no referido grupo — que conta com mais de 80.000 usuários inscritos; dias depois, a vigilância sanitária realizou inspeção, não encontrando qualquer irregularidade!

Por essas e outras, é que as pessoas acabam tomando uma posição de ojeriza a certos portais de notícias: em tempos onde qualquer pessoa pode ser jornalista, e qualquer blog pode ser um veículo de imprensa, credibilidade deveria ser a principal meta a ser perseguida.

Afinal, é a credibilidade que agrega VALOR ao CONTEÚDO; e um conteúdo valioso é que atrai uma AUDIÊNCIA QUALIFICADA; e a audiência qualificada é quem ATRAI ANUNCIANTES. Quem é que, em sã consciência, aceitaria VINCULAR SUA MARCA a um CONTEÚDO DUVIDOSO?

Fica a reflexão!!!

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Redação DireitoFácil.NET

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