Porque “Power Rangers – O filme” poderá não agradar fãs das séries

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Se você não mora numa bolha, isolado do mundo exterior, provavelmente deve ter visto em algum lugar (na timeline do seu Facebook; naqueles anúncios que aparecem antes de cada vídeo no Youtube; ao deslizar alguma notícia de site de entretenimento) o teaser do novo filme dos Power Rangers (Power Rangers – The Movie, Liongate) que deverá estrear nos cinemas de todo o mundo, em 2017.

Trata-se de um reboot do filme homônimo, produzido em 1995, na esteira do sucesso avassaladora da série de TV “Might Morphing Power Ranger” (no Brasil, Power Rangers). O longa metragem teve relativo sucesso na bilheteria, o que acabou inspirando uma “continuação” (entre aspas mesmo, porque a história, na verdade, guardava mais relação com a série de TV, do que com o filme anterior).

Contudo, diante do fracasso de bilheteria desse segundo filme, o projeto de um novo longa metragem baseado na série de TV foi engavetado. Durante esse tempo, os direitos de filmagem sobre o filme mudaram de mãos, retornando mais recentemente para o “criador” (novamente, entre aspas, conforme pode conferir à seguir) da série, que agora retoma o tema do primeiro filme.

Pelos dois minutos e tantos segundos do teaser, não dá para saber como o filme será; mas diante das primeiras impressões, arrisco dizer que o filme poderá não agradar fãs do seriado. Na verdade, não me refiro aos fãs da franquia “Power Rangers”; me refiro, de modo especial, aos que cresceram acompanhando as séries integrantes da franquia Super Sentai japonesas. Esses sim, podem ficar desapontados.

Abaixo listo alguns motivos que me levam a crer nisso…

É hora de Morfar!

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Para se ter uma ideia do sucesso que foi Power Rangers, na época em que a “primeira temporada” foi exibida nos Estados Unidos, basta dizer que a sitcom de maior sucesso naquele tempo – Friends – fez uma menção expressa à expressão “It’s morphin’ time” (em português: é hora de morfar), em um de seus episódios.

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Se tal citação foi gratuita ou algum merchandising disfarçado de piada, jamais saberemos; o fato é que tal frase era o mantra entoado pelos protagonistas, para iniciarem a transformação em “super heróis”.

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Vale até citar aqui a confusão que a expressão “morphin” acabou causando em países como Indonésia, onde o termo foi confundido com Morfina, um opiáceo usado na medicina, como poderoso analgésico. Sim: os caras acharam que Power Rangers fazia apologia ao uso de drogas; e por isso tal expressão foi banida, pela censura daquele país.

O fato é que, a julgar pelas cenas, uma das coisas mais marcantes ficarão de fora do filme. A transformação de trajes civis para as “armaduras de batalha”, ao que parece, vai ser algo muito parecido com o que vemos no Homem de Ferro, nos filmes da Marvel. A conferir.

Cadê as coreografias?

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Sim: se você tem mais de 30 anos, assim como o autor deste artigo, certamente teve sua infância marcada pelos seriados japoneses transmitidos pela extinta TV Manchete: Jaspion, Changeman, Jiraiya, Flashman, Jiban, Black Kamen Rider, Kamen Rider Black RX, Cybercops, etc.

O que a maioria de nós não sabíamos na época — e hoje, graças à Wikipedia e inúmeros blogs e sites especializados, nós temos conhecimento — é que tais séries faziam parte de um gênero cinematográfico chamado Tokusatsu (abreviação da expressão japonesa “tokushu satsuei“, algo como “filme de efeitos especiais“). Nesse balaio de gato, entre tudo e qualquer coisa que era filmado no Japão, utilizando recursos visuais, como maquetes, explosões, fantasias.

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E dentro desse gênero, existe um segmento de séries chamadas Super Sentai (Sentai, em japonês, tem significado mais militar, sendo traduzido como Esquadrão). Em resumo, são grupos de guerreiros (não necessariamente militares), que adquirem força extraordinária (daí o “super”), ao vestirem”trajes poderosos”. Na verdade, nem ouso usar o termo “armadura”, pois creio ser melhor aplicável para descrever os chamados Metal Heroes (outra franquia, na qual temos como representantes, o famoso Jaspion e Jiraiya).

Apesar da semântica que a palavra “Sentai” possa evocar, ao se analisar o enredos das mais de 30 (trinta!!!) produções do gênero, nem sempre a temática “militar” esteve presente; na verdade, os japoneses são prodigiosos na busca de referências culturais pop, recorrendo ora a temas como ninjas, passando por dinossauros e animais da fauna mundial. Não seria surpresa, se dia desses, fizerem um “Super Sentai” da Fauna Amazônica, um Power Rangers: Amazon Force.

De comum, entre todos eles, algumas coisas: os trajes coloridos, a coreografia da transformação e as lutas. E justamente, esse lado mais “teatral”, que soa bizarro — mas que é uma marca registrada desse tipo de série — parece ter desaparecido nesse reboot. Provavelmente não veremos nesse filme, eles fazendo algo parecido com as cenas acima.

E essa roupa aí? Já vi isso em algum lugar…

Uniformes, no detalhe, revelam certa semelhança na textura e paleta de cores.
Uniformes, no detalhe, revelam certa semelhança na textura e paleta de cores.

Outra coisa que salta aos olhos de quem assiste ao teaser, é o tom mais sombrio da paleta de cores; somando-se isso às fotos já divulgadas durante a pré-produção e filmagem, parece que o reboot busca se aproximar da fórmula cinematográfica adotada pela DC nas recentes adaptações de seus super-heróis no cinema.

Isso fica bem evidente, quando você atenta aos detalhes das “roupas de batalha”, que possuem uma textura muito parecida com a das vestes dos protagonistas dos filmes dirigidos e produzidos por Zac Schneider (Homem de Ferro, Batman versus Superman e Liga da Justiça).

Isso, na nossa opinião, também poderá decepcionar os fãs das séries originais japonesas. Contudo, pode ser um sinal de ruptura do modelo até agora utilizado por Saban: a de “importar” as séries lançadas no Japão, aproveitando apenas o conceito das personagens e as cenas de ação, modificando o enredo e nomes de personagens, para melhor se adaptar ao gosto dos norte-americanos.

Se isso for verdade, Saban pode estar prestes a romper com uma fórmula até aqui já esgarçada, de tão usada que foi, e dar um passo em direção à produção de uma “nova saga”, com trama própria e visual desenvolvidos à imagem e semelhança dos heróis da MARVEL e DC.

Nossa opinião é…

O filme que irá passar nos cinemas em 2017, definitivamente, não é um tokusatsu. Arriscamos dizer, que nem seja uma adaptação; será algo novo, utilizando apenas uma marca comercialmente consagrada (o nome “Power Rangers” tem um espetacular poder de vendas). E quem sabe, num futuro próximo, poderemos torcer pelo fim dessa parceria entre Saban e Toei/Bandai, com a possibilidade de voltarmos a assistir a séries originais, devidamente dubladas e exibidas em TV aberta. Quem sabe?

Abaixo, o preview:

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Comentário

Teamajormar Almeida

Advogado. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho.

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