6 músicas que você não fazia ideia que eram versões

seis-musicas-versoes-fwSabe aquela música que você ouvia na rádio, que sabia a letra (em português) de cor e salteado, mas não fazia a mínima ideia de que era uma versão — apesar de uma incômoda sensação deja viù, quer dizer, de já ter ouvido em algum lugar?

Se a resposta foi SIM, é bem provável que tal música: a) seja um plágio (e existe váááários casos assim); b) ou seja uma versão regravada, devidamente autorizada pelos detentores dos direitos autorais originais.

E nesse negócio de versão musical, vale tudo: tem cantiga tradicional andina que virou axé music; tem heavy metal japonês que virou canção católica; tem dance music australiana que ganhou versão em português, servindo de debut para ex-cantora infantil, que queria se lançar como pop teen; tem pop francê que virou hit brega; e tem até sucesso country-rock que virou pagode!!!!

Segue mais uma #TOPLIST de Variedades, aqui no DireitoFácil.Net…

6 – Dos Andes para a Europa

Lambada… o ritmo proibido! Se você nasceu só na década de 90, não teve a oportunidade de sofrer o martírio e ter que aguentar de ouvir a banda Kaoma tocando em todas as rádios, com seu indefectível e inesquecível sucesso “Chorando se foi”:

Caso queira saber mais sobre o que foi a banda Kaoma, indicamos o verbete em inglês na Wikipedia. Mas basta saber que essa febre de lambada, começou no verão europeu, e foi importado para o Brasil no carnaval seguinte. E a Bahia nunca mais foi a mesma…

Mas o que pouca gente sabe, é que “Chorando se foi” trata-se de uma versão (ridiculamente literal, diga-se) de uma canção chamada Llorando se fue, originalmente gravada pelo grupo Los Kjarkas — o que acabou por render, na época, uma acusação de plágio. O próprio grupo boliviano admitiu que a canção era uma regravação autorizada.

E verdade seja dita: essa desgraça música fez tanto sucesso, que deve ter sido a primeira vez que gringos cantaram uma música em português — feito que só seria repetido, anos mais tarde, com “Ai se te pego” de Michel Teló e “Balada Boa” (Tcherê Tchê Tchê) de Gustavo Lima (e você :p).

PS¹: Se você ainda tem dúvidas do PODER e INFLUÊNCIA que essa praga canção teve sobre a música pop mundial, basta lembrar que a introdução da música foi usada, de forma incidental  e como sampler), na canção In the floor, de Jeniffer Lopes e Pitbull.

E depois disso, virou modinha usar acordeão em música pop.

PS² – E antes que alguém diga: nhé… mas e Garota de Ipanema? Pois bem: as canções de Tom Jobim são muito conhecidas lá fora, mais em razão da genialidade e complexidade de suas harmonias, do que pela genialidade das letras. Até porque, a maioria delas, ganharam versões em inglês, como Girl from Ipanema.

5 – Dos Andes para Bahia

Se você tinha, sei lá, mais de 8 anos e vivia no Nordeste no final da década de 80 (eis meu caso), com certeza enjoou de ouvir/cantar a seguinte letra: “o amor é um vendaval, mas se quebra como cristal“. Foi um verdadeiro sucesso (pelo menos, lá pras bandas de Maceió, onde morei dos oito aos 12 anos de idade) da banda Cheiro de Amor, na voz de Márcia Freire…

Mas advinha só? Essa música é versão de uma música tradicional andina chamada “El Humahuaqueño“, um conhecido “carnavalito” (é o nome do ritmo), que foi eternizada por Roberto Carlos, em disco gravado em 1975. E por incrível que pareça, a gravação do Rei Roberto é considerada uma dos melhores registros já gravados dessa canção.

4 – Heavy Metal Japonês Católico?

Se você acha que música japonesa se resume àquelas músicas tradicionais cantadas por senhorzinhos e senhorinhas em karaokês, ou às trilhas sonoras de seriados tokusatsu (como Jaspion, Changeman e Jiraiya), está redondamente enganado(a). O Japão é um profícuo celeiro de talentos musicais, e um dos ritmos mais consumidos por lá, é o J-Pop (ou Japan Pop Music).

E dentro desse rótulo, cabe muita coisa: de boys bands à bandas de heavy metal, como a The Alfee. Aliás: banda, não; um power trio, formado por Masaru Sakurai (baixo e voz principal), Kohnosuke Sakazaki (violão, guitarra base e backing vocal) e Toshihiko Takamizawa (guitarra/violão solo e vocais).

E eis que invertamos a lógica deste post, para lhe apresentar, primeiramente, a canção Love Never Dies:

Love never dies foi gravada em 1996, tendo sido incluída num CD contendo só canções romântica (o album chama-se “LOVE”), o que nos leva a pensar que trata-se de uma balada romântica. Contudo, como você pode ver, o videoclipe dessa música é um espetáculo à parte, em razão das muitas referências pop — a mais gritante delas, sem sombras de dúvida, é a guitarra utilizada por Takamizawa, customizada com a forma e imagem de uma Nossa Senhora — tendo sido, inclusive, objeto de artigo científico!!!

E eis que o cantor e compositor católico, Walmir Alencar — talvez, inspirado pelo título “Amor nunca morre” e pela guitarra customizada com a imagem de Nossa Senhora — resolveu converter uma balada romântica em uma canção religiosa épica chamada “Pare de Resistir” — que foi gravada pela banda Vida Reluz, no CD “Celebra a Vitória”, lançado em 1997.

3 – Quando “ser sortuda” virou sinônimo de “ser louca”.

Você certamente conhece (ou já ouviu falar) de Kylie Minogue, certo? Kylie é uma cantora australiana, que emplacou algumas canções nas paradas de sucessos de seu país natal, tendo despontado para o cenário internacional, após também emplacar sucessos no Reino Unido. E um desses grandes hits nas paradas britânicas foi “I should be so lucky“:

Agora, veja bem, como o movimento HuehuehueBR é antigo. “I should be so Lucky”, numa tradução literal, ficaria “eu deveria ser sortuda”; e se fôssemos traduzir no contexto da letra original, seria algo como, “bem que eu poderia ter mais sorte”.

Pois é… só que teve algum ser iluminado (minha aposta: algum diretor executivo da gravadora), que ao ouvir o refrão cantado por Kylie, achou que “ai xul bi so lôki” soava como “acho que sou louca” e mandou bala. E fizeram a versão, exatamente desse jeito. E foi assim que “ser sortuda” virou sinônimo de “ser louca”.

E a louca, no caso, quem foi? A Simony, é claro. Após ter integrado a Turma do Balão Mágico, por muitos anos, eis que a menina cresceu e virou uma adolescente. E alguém achou que ela seria o rosto ideal para dar voz à versão huehuehuebr em português:

Bem. Certo mesmo é que essa música marcou a infância de muita gente (inclusive, a minha), habitando nas memórias afetivas de uma penca de pessoas…

2 – Avec, avec… vou de taxi!

Vanessa Paradis, uma típica garota adolescente francesa, que em plena década de 80, ostentava um corte de cabelo volumoso e ostentava moletons folgados (vários números acima). Eis que colocaram essa garota pra gravar uma canção totalmente despretensiosa, e com direito a um videoclipe bisonho, onde a mesma fica dançando ridiculamente ao lado de um yellow cab.

E que por motivos que só os anos 80 podem explicar, se tornou um sucesso em toda a Europa:

Ah… esse timbre de voz irritante, esses cabelos louros, esses olhos verdes. Com certeza, teve algum outro ser iluminado que pensou: “quem é que se encaixa nessa descrição, aqui no Brasil?“. E eis que alguém deve ter respondido: “ah, tem aquela menina, da pinta na coxa, que apresenta aquele programa na TV Manchete“. Pá, pum.

E foi assim que Joe le taxi, virou Vou de Taxi e Angélica teve sua carreira estigmatizada, por causa de apenas UMA música.

 

1 – Só pra contrariar, vamos pegar um soft-rock e transformar em pagode

A banda Bread fez sucesso nos Estados Unidos, dentre os anos de 1968 e 1973, tendo sido formada pelos musicos David Gates, Jimmy Griffin, Robb Royer e Mike Botts, cujo soft-rock de fácil assimilação conquistou as paradas norte-americanas, com destaque para “If“, “Everything I Own“, “Guitar Man“, dentre outras.

Com a guerra de egos entre seus Gates e Griffin, que resultou no fim da banda em 1973, David migrou para o country music. E em 1981 emplacou o sucesso “Take Me Now” na Billboard — e no  Brasil, fez ainda mais sucesso, por ter sido incluída na trilha sonora da novela Brilhantes.

E eis que o Só Pra Contrariar — aquela banda liderada por Alexandre Pires, que naquele momento, estava no auge de sua trajetória musical, vendendo milhões de cópias em CDs — resolveu gravar uma versão de Take me now, chamada “Minha Metade”, devidamente convertida num pagode romântico.

Coisas que só o SPC conseguia fazer: juntar orquestra de cordas, naipe de metais, guitarras com distorção, a instrumentos de percussão de samba, tocando pagode. O resultado você confere nesse clipe (suuuuuper produção):

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Redação DireitoFácil.NET

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