Saudosismo sem fim: Mega Drive volta às lojas em 2017

Lembra-se da nova versão “vintage” do ATARI, cujo lançamento foi anunciado aqui no DireitoFacil.Net? Pois é: e não é que os saudosistas de plantão têm mais um motivo pra comemorar? Conforme anunciado pela TecToy, uma nova versão do MegaDrive vai ser relançado no mercado brasileiro, agora em 2017.

A fabricante brasileira parece ter descoberto uma fórmula infalível: olhar no retrovisor dá dinheiro! No seu caso, o mais correto é dizer: abrir o seu baú de patentes e licenciamentos, tirar a poeira das formas e circuitos, dar um tapa no visual e uma atualização nos componentes… e embalar tudo num pacote, onde o saudosismo dos oitentistas é o principal ponto que agrega valor ao produto.

Console “Made in Brazil”

O MegaDrive foi um console de 16 bits, fabricado pela SEGA no anos 80, para competir com o SNES (Super Nintendo Entertainment System) da fabricante japonesa, que naquele momento da história, já havia dominado o mercado norte-americano de vídeo games — e praticamente decretado o fim da Atari e de seus jogos com gráficos rudimentares e jogabilidade limitada.

De quebra, a SEGA também desenvolveu um jogo baseado com gráficos deslumbrantes (para a época) e protagonizado por um personagem carismático (o porco-espinho Sonic) — tal e qual a Nintendo e seu icônico Super Mario. Foi um sucesso mundial.

Como no Brasil, naquela época, era proibida a importação de eletrônicos — isso mesmo: havia algo chamado “Lei do Mercado Nacional”, que vetava a entrada de produtos que fossem manufaturados no exterior — o MegaDrive foi lançado pela TecToy, que licenciou a produção do console na Zona Franca de Manaus.

Isso talvez explique o sucesso da SEGA no Brasil: como os japoneses da Nintendo não gostavam de “terceirizar” a fabricação de seus produtos, com medo de sofrerem “clonagem industrial”, a SEGA acabou aceitando correr o risco e colheu os frutos da estratégia — o Mega Drive, em todas as suas versões (três, no total), foi um sucesso de vendas, ocupando a memória afetiva de uma geração de crianças abastadas, no final dos anos 80 e começo da década.

Aliás, cabe uma nota: se hoje em dia podemos comprar quaisquer produtos importados, de automóveis a eletroeletrônicos — ainda que pagando mais que o dobro do preço original, em razão dos altíssimos impostos de importação — devemos agradecer ao então presidente Fernando Collor, que teve a coragem de peitar o lobby de fabricantes nacionais, que escorados na “reserva de mercado”, não investiam em melhorias ou desenvolvimento de seus produtos.

Não custa lembrar a frase icônica que Collor de Melo teria dito, ao decretar o fim da restrição à importação, abrindo o mercado brasileiro para o mundo: “Nós não andamos em carros, mas sim, em verdadeiras carroças“. O mesmo se aplicava a eletrônicos: enquanto o CD já era uma realidade nos Estados Unidos, Japão e Europa, vivíamos o auge da era do LP em vinil!!!

O (não tão) novo MegaDrive

O anúncio foi feito pela TecToy em seu site oficial e nas redes sociais, em outubro de 2016; desde então, ela tem adotado uma bem sucedida estratégia de marketing, “interagindo” com os potenciais consumidores. Primeiramente, ela criou um cadastro para pré-venda (afinal, será uma edição limitada) e depois, seguiu-se enquetes para que o público pudesse opinar sobre a embalagem e outros aspectos do produto.

A nova versão do videogame tem design fiel ao original, acompanhando por joysticks de de três botões — boas notícias: será mantido o mesmo “padrão” de engate do console original, portanto, quem ainda tiver os controles antigos, poderá usá-los! —  além de conter entrada para cartucho (mesma “pinagem”) e cartão mini SD, além de 22 jogos na memória interna – dentre os quais: Alien Storm, Bonanza Brothers, Arrow Flash, Columns, Decap Attack, E-Swat, Fatal Labyrinth, Flicky, Gain Ground, Golden Axe 3, Jewel Master, Kid Chameleon, Last Battle, Out Runners, Sega Soccer, Shadow Dancer, Shinobi 3 e Turbo Outrun entre outros.

Não ficou claro se a entrada mini-SD permitirá que os proprietários do console utilizem “ROMs”  (como se chama o “pacote de arquivos” que compõe um jogo) baixadas em sites piratas, ou se só rodará “versões oficiais”, compradas no site da própria TecToy.

O lançamento está programado para junho deste ano (2017) e o preço “promocional” (cof, cof… né TecToy?) ´na pré-venda é de R$ 399.

 

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