Reestruturação do BB teria gerado onda de suicídios entre funcionários

Que o Banco do Brasil está promovendo uma reestruturação de suas operações, com fechamento de 400 agências, abertura de planos de aposentadoria incentivadas e investimentos maciços na migração de clientes para o atendimento digital, não é surpresa alguma para o mercado.

O que causa espanto é as denúncias de desrespeito aos direitos trabalhistas dos funcionários do BB.  Já falamos, dentre outras coisas: como empregados ocupantes de funções há mais de uma década, perderam seus cargos, voltando a ganhar apenas o piso salarial; do fato do Banco do Brasil ser a única estatal a não fazer concursos externos para os cargos de natureza técnica (aqueles que exigem formação específica, de nível superior); de como essa migração forçada de clientes para o chamado “atendimento digital”, tem sido usado por estelionatários, para aplicação de golpes envolvendo a conta fácil e a nota fiscal paulistana.

Mas a mais nova denúncia que vem ganhando as atenções nas redes sociais, supera em gravidade, todas as más notícias envolvendo o Banco: trata-se de uma onda de suicídios entre funcionários do BB. Segundo a página FuncionalismoBB, pelo menos 64  empregados teriam tirado a própria vida, nos últimos meses.

Más Condições de Trabalho

A repercussão sobre essa situação só começou a ganhar força, após a página ter anunciado — em primeira mão — que o Superintendente Evaldo (então titular da Super Leste Paulista , com sede em Campinas/SP e ex-titular da Super Mato Grosso do Sul) teria sido mais uma vítima dessa onda de suicídios entre funcionários do Banco do Brasil. Tal postagem alcançou pelo menos 26.000 pessoas, contando com mais de 1.600 interações (entre curtidas, reações e comentários).

E é justamente nos comentários desse post, onde é possível coletar uma série de relatos de empregados adoecidos. Selecionamos alguns:

  • “E os culpados serão julgados? Mais fácil serem promovidos. Enquanto Gepes (Gerência de Gestão de Pessoas) e ouvidoria (Ouvidoria Interna) forem omissas e incompetentes ocorrerão outros casos nessa empresa assassina”.
  • Infelizmente o Banco encontra-se nessa situação. Pessoas tendo que trabalhar como máquinas e como consequência disso, ficando doentes. No ano passado, tivemos 3 afastados.
    Certo! Temos que correr atrás de metas, mas dentro de cada realidade (deveria ser). Agência pequena, região pobre do interior do nordeste, tendo que atender 11 municípios, equipe com dois funcionários a menos esse ano, agência sempre super lotada e tendo de fazer do ano de 2017, “o ano do atendimento”. É piada!!! E pra coroar, receber uma notícia triste dessa, em meio a toda essa turbulência que estamos enfrentando… Só a misericórdia de Deus!”
  • “Eu laborei em diversas áreas do banco, e no dia a dia o que se valoriza é a entrega das demandas o quanto antes e comentar que pode demandar mais que dará conta. Quando alguém apresenta algum problema, indiferente de que espécie que seja, ninguém dá atenção. O ser humano não é máquina que se pode trocar uma peças a qualquer hora e lugar.
    Lamentável. Que sirva de alerta”.
  • “Infelizmente o que impera no BB é falta de coleguismo. Quando um colega passa por isso é tratado pelos colegas como “descompromissado”. Deixa dois filhos, lamentável”.
  • Esse é o BB de hoje…. Muitos colegas estão sendo humilhados e perdendo comissão… Como fica a vida dessas pessoas ??”

O mais emblemático em tudo isso, foi o fato da mesma página ter feito uma postagem sobre o tema, uma semana antes da notícia do suicídio de um superintendente do Banco — o que só demonstra que o problema é antigo, mas se agravou ainda mais, com a deflagração da reestruturação em curso. Veja a íntegra da postagem:

Outro indício de que o problema é grave, encontra-se no comentário em outro post — que compartilhava a repercussão da morte de Evaldo, na mídia local sul-matogrossense (estado onde ele havia atuado como superintendente, por cerca de três anos): “Esse ano a depressão está senso amplamente discutida. Depressão mata. Principalmente os homens, que acabam realmente executando o ato do suicídio. Casos como esses são motivos de internação e acompanhamento medico e psicológico intensivo. Que o BB tome lição e trate seus funcis como deve. Com respeito e cuidando da saúde acima de qq negócio

Revirando o histórico de postagens da página, é possível ver que o problema não é recente; há postagens e comentários, anteriores à reestruturação, onde é possível verificar que o problema do adoecimento psíquico coletivo, parece ser fruto de uma gestão que privilegia o lucro acima de tudo — em detrimento, até mesmo, do bem estar e saúde mental de seus colaboradores.

Um exemplo: por ocasião do aniversário de 208 anos da Instituição, a mesma página publicou uma imagem com os dizeres: “208 anos sem nada a comemorar”, enumerando uma série de problemas enfrentados pelos empregados no seu dia a dia. “Assédio moral”, “condições de trabalho degradantes”, “gestores ‘otimistas’ que discriminam”, “lei da mordaça (IN383)”, são apenas alguns desse problemas listados.

Assédio Moral

Aliás: o assédio moral é um tema recorrente nas postagens da página FuncionalismoBB. Em uma imagem publicada em 12.09.2016, é reproduzida reportagem publicada no Correio do Estado, onde empresários denunciam a prática de “assédio” de gerentes do BB, para aquisição de produtos do Banco, como forma de “acelerar” projetos de investimento, cujos recursos são repassados pelo FCO.

O comentário dessa postagem que recebeu mais curtidas, é o que resume o “dilema moral” ao qual os empregados são colocados: “Se não cumprir a meta é descomissionado; se cumprir é demitido. Que comecem os jogos!” — numa referência à fala do personagem Jigsaw, da franquia de filmes “Jogos Mortais”.

Outra postagem que trata do assédio moral no BB, aproveitou a deixa do “viral (daquele) momento”: o famoso “já acabou, Jéssica?”. Trazendo a silhueta da estudante Lara, na pose que ficou famosa graças ao vídeo, a página conclama os funcionários a reagirem: “Aliás: é bom fazer como a Lara, e TIRAR O AGRESSOR DO ANONIMATO. Revelar sua verdadeira face para todo mundo… e com isso, buscar a EMPATIA de outras pessoas que tenham sido vítimas do mesmo agressor. Busque apoio na família e nos amigos… e denuncie! Grave com celular, qualquer ocasião de agressão“.

A página, inclusive, diante de uma série de comentários que a acusavam de “oportunismo” por ter divulgado o suicídio do superintendente, resolveu publicar uma Nota de Esclarecimentos:

 

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Redação DireitoFácil.NET

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