#PrecisamosFalarDeSuicidios: VEJA está de parabéns

#PrecisamosFalarDeSuicidios: VEJA está de parabéns

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veja cronicas

Você pode até discordar — assim como eu discordo — ou criticar com veemência a atual “linha editorial” — que deu uma guinada substancial à esquerda — da revista semanal VEJA. Mas há de concordar comigo quando digo que esta reportagem é aquele velho e bom Jornalismo (assim mesmo, com J maiúsculo) cada vez mais raro nos dias atuais. 

Quem me acompanha nas redes sociais, sabe do que estou falando: elogiei a estupenda matéria que o Buzzfeed Brasil fez sobre um icônico personagem da paisagem paulistana — o “Fofão da Augusta” — a despeito do tipo de jornalismo raso e “caça-cliques” que o Buzzfeed ajudou a popularizar.

Aliás: sou uma pessoa muito discreta em minha vida pessoal. Isto tem um motivo: após ter sido acometido da chamada síndrome de Burnout, me vi às voltas com uma indesejável sequela — uma agorafobia permanente, que me impede de desenvolver atividades que outrora, me davam prazer e satisfação (como tocar em shows, frequentar locais com grande aglomeração de pessoas, como retiros e missas, entre outras coisas).

Depressivo assumido, tenho utilizado minhas redes sociais para ajudar outras pessoas como eu. Como? A superarem o medo do preconceito e se assumirem depressivos — pois este é o primeiro passo para se tratar de tal epidemia que acomete 1 em cada 4 pessoas do mundo.

Veja que eu falei primeiro para para “se TRATAR”; isto porque, cada vez mais estudos atestam: não há cura para a depressão. Assim como a diabetes e colesterol alto, a depressão pode ser tratável, de modo a permitir ao doente uma vida digna e funcional, desde que respeitada sua condição.

E é aqui que o bicho pega: a maioria das pessoas — algumas por ignorância e desconhecimento; outras por total desprezo à condição humana — tende a encarar os males da mente como “frescura”, “fraqueza” ou “falha de caráter”. Explico: “ah mas fulano não tem motivos para ser triste (frescura)”; “nossa, um homem desse tamanho, com uma coisa dessas? (fraqueza)”; “ah, isso é coisa de gente que se esconde ao invés de enfrentar o problema de frente (falha de caráter).

No começo desta semana publiquei o artigo “Precisamos Falar de Suicídios“, onde explico o porquê de ter eleito essa pauta como estandarte de luta de nosso DIREITOFACIL.NET — e de como temos sido objeto de críticas e retaliações por fazer esse combate.

Naquela ocasião, escrevi: “o politicamente correto eliminou o suicídio das pautas jornalísticas, sob o argumento estapafúrdio de que noticiar-se sobre isso estimularia outras pessoas a fazerem o mesmo“. E conclamei: “Urge sim, falarmos de Suicídio! Mas é lógico, sem sensacionalismo ou julgamentos morais — mas sim, referenciando fatos e acontecimentos semelhantes, mostrando que, quase sempre, o suicida deu sinais de que precisava de ajuda“.

Coincidência ou não, me deparei com esta contundente matéria de OITO páginas que VEJA trouxe na edição deste final de semana: 

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Como disse acima, ao citar a matéria publicada no Buzzfeed Brasil, eis um exemplo daquele BOM JORNALISMO que parece ser uma espécie em extinção, nos dias atuais, onde as pessoas têm pressa em consumir informações — e os meios de imprensa, ao invés de se contraporem a esse mau vício, parecem ter se dobrado a essa tendência, até mesmo, por uma questão de sobrevivência comercial.

Matérias como “Fofão da Augusta? Quem me chama assim não me conhece” e “Crônica de um suicídio” são uma lufada de contrassenso nesse oceano de desinformação ou superficialidade.

E o mais importante: a mais importante publicação semanal do Brasil acaba de quebrar um tabu incômodo — justamente, aquilo que tanto tenho conclamado: PRECISAMOS FALAR DE SUICÍDIOS, sim! 

Temos conhecimento sobre investigações conduzidas no âmbito do Ministério Público, que estão se debruçando sobre epidemia de suicídios em certos segmentos da sociedade.

Mais do que entender ou compreender os motivos clínicos que levam certas pessoas a se decidirem por medida tão extrema, é preciso identificar concausas entre casos aparentemente desconexos, de modo a se mapear fatores objetivos que desencadearam tamanha perturbação psíquica, a ponto de conduzir tantas pessoas a optarem por tal desfecho.

Em março deste ano, trouxemos um relato perturbador da ocorrência de suicídios entre funcionários de certo banco estatal; meses depois, tomamos conhecimento sobre matéria do SBT confirmando nossa denúncia inicial, bem como, foi além: constatou a omissão de entidades sindicais que, em tese, deveriam combater essa situação.

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