Porque acho que Logan não é o fim para Hugh Jackman

Esqueça tudo que você leu, viu e ouviu sobre Logan nos últimos dias. Se você ainda não aprendeu, é melhor se acostumar: nada é definitivo para Hollywood. Nem mesmo a morte!

Não é exagero. Basta lembrarmos de filmes como “O Corvo”, cujo protagonista Brandom Lee acabou vitimado por um disparo de arma de fogo no set (o filme acabou sendo concluído, mesmo após sua morte, aproveitando-se as poucas tomadas feitas em close up, com a atuação de dublê nas cenas de luta); ou ainda, da sequência de “Velozes e Furiosos”, que após a morte do ator Paul Walker, utilizou-se de inserção digital do rosto do ator falecido, em cenas cujo seu irmão atuou como dublê de corpo.

O que manda em Hollywood chama-se dólar. Se o filme fizer sucesso, sim, haverá uma sequência, uma continuidade. De preferência, com os mesmos atores. E com o Velho Logan, de Hugh Jackman, não seria diferente, oras!

Apresentações x Despedidas

Com certeza, Logan teve uma das mais bem sucedidas campanhas de marketing de lançamento do filme. Como não se deliciar, com a breve estadia de Huck Jackman em São Paulo, onde ele esteve, para se submeter a uma tarde inteira de entrevistas (para repórteres de grandes redes de TV, a youtubers e blogs especializados em cinema, com uma audiência qualificada ou altamente segmentada). E pensar que começou com um vídeo publicado no Instagram do ator australiano, onde se deliciava com uma caneca de pingado (café com leite); passando pelo encontro, nos bastidores do SBT, com aquele responsável por dar voz (em português) ao seu personagem mais famoso.

Enfim, em todas as entrevistas, você ouviu basicamente as mesmas coisas:

  1. Logan é um road movie;
  2. Logan é um filme +18, o que possibilitou explorar mais cenas de violência;
  3. Logan é um filme “tocante”, que apesar de ser nascido de heróis de quadrinho, é um drama na medida exata, ao mostrar a decadência física de seres super-humanos, como um velho Professor Xavier quase demente (em função de um Alzheimer), ou o próprio Wolverine, padecendo com a diminuição de seu fator de cura (que lhe garantia uma “imortalidade”, decorrente da alta capacidade de regeneração).
  4. O grande destaque de Logan, sem dúvida alguma, é da atriz mirim que interpreta a raivosa Laura/X-23;
  5. Somos introduzidos no conceito do Old Logan, uma série especiais de quadrinhos com o personagem Wolverine;
  6. Somos introduzidos também aos Carinceiros, um dos grupos de vilões mais casca-duras que o personagem enfrentou nas HQs.

OK. Concordamos com tudo isso. Porém, a única coisa que discordamos, após assistirmos o filme, é de que “Logan é a despedida de Hugh Jackman do papel de Wolverine“. Isso aí, temos nossas sinceras dúvidas. Porque, o filme tem se mostrado um verdadeiro sucesso de bilheteria (apenas no primeiro semana de exibição, faturou mais de 240 milhões de dólares). E segundo, porque o roteiro deixou uma brecha para uma provável continuação.

(atenção para spoiller)

No desenrolar do filme, o professor Xavier é assassinado por X-24 — um clone perfeito de Wolverine, à sua imagem e semelhança. E essa morte, sim, nos pareceu definitiva. A cena onde vemos Logan enterrando o corpo do idoso telepata, não deixa margem de dúvida alguma: Xavier morreu. Ponto final.

Contudo, com o próprio Logan, a morte não pareceu definitiva. Explicamos: a sua missão era levar a pequena Laura (a X-23) ao encontro das outras crianças fugidas do laboratório (as outras “armas X”). Daí, portanto, ser um road movie. Durante o filme, vemos o professor Xavier convencer Logan de que aquela pequena Laura, não é apenas um “clone genético” de si mesmo, mas sim, sua filha. E o despertar dessa paternidade não-desejada por Logan, é o último clinch dramático.

A cena em que a pequena Laura começa a tagarelar em espanhol — após ter passado praticamente 2/3 do filme, sem abrir a boca — é, sem dúvida alguma, o alívio cômico do filme. As gargalhadas inundaram a sala de exibição.

O contraponto, evidente, é a cena acima — quando Laura e Wolverine se dão aos mãos, como pai e filha. E após isso, a batalha épica — um clichê necessário. Nessa luta, somos apresentados aos demais mutantes (todos clones de mutantes já falecidos), cada qual com um “poder” diferente. Na floresta é que acontece o duelo Wolverine versus X-24 (seu clone perfeito).

Pausa para uma explicação: enquanto Logan descansava no “refúgio secreto”, somos apresentados a uma ampola de vidro, contendo um líquido verde; a explicação vem em seguida: trata-se de um soro que potencializa “o fator de cura”. Se tomado em excesso, a recuperação é rápida, mas efêmera. Em doses homeopáticas, possibilita a recuperação dos ferimentos.

É evidente que, ao ver o grupo de pequenos clones ameaçado por tropas de carniceiros e mercenários, Logan injeta em si toda a dose — e eis aqui, onde acho que está a “ponta solta” do roteiro. Na luta com seu clone perfeito, Logan é lançado contra a ponta de uma lança (na verdade, um galho de árvore). É o clímax da “batalha épica”. Não sobra mais nenhum adulto vivo.

Corta para a cena, onde vemos aquilo que seria o corpo do Velho Logan, coberto por pedras — e não, enterrado, como o velho Xavier. E as crianças continuam na jornada, rumo à travessia da fronteira para o Canadá, em busca do “Jardim do Éden”.

Para mim, Logan pode não ter morrido. Uma vez tendo injetado o tal “soro milagroso”, seu corpo pode entrar em uma espécie de estado de hibernação, possibilitando uma regeneração completa. Eis aí, pra mim, o gancho para a continuidade desse filme.

Sai aquele Logan viril e vigoroso — que exigia um sacrifício pessoal e uma preparação física hercúlea do ator Hugh Jackman (o que, sem sombras de dúvidas, o fez ponderar em desistir do papel, em razão de tal esforço); e entra em cena, um Velho Logan, mais sábio do que ágil, assumindo a função que era do Professor Xavier: de ser o tutor dessa nova geração de mutantinhos.

A minha aposta é esta. E por isso que eu acho que Logan não é o fim para Hugh Jackman.

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Comentário

Teamajormar Almeida

Advogado. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho.

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