Lavagem Cerebral Corporativa: você está passando por isso?

Por Priscila Fiorin¹

Há uns dois anos, li um interessantíssimo sobre a Coréia do Norte, chamado “Nada a invejar”. A autora, uma jornalista americana que vivia em Seul, entrevistou diversos dissidentes da Coreia do Norte e escreveu um relato que parece um romance, mas é uma história real.

O capítulo que mais me emocionou é o que ela conta como cada um dos seus personagens descobre que vivia em um mundo de mentira, alimentado pela lavagem cerebral promovida pelo governo.

Não é difícil identificar o tipo: imagine aquele profissional que age como um ditador. As pessoas fazem de tudo para agradar a ele, mesmo sabendo que trata-se de um déspota.

Pois bem, parece história de ficção, ou coisa que só acontece em países surreais como a Coréia do Norte, mas pode estar acontecendo com você, ou mais próximo do que se imagina.

Eu presenciei isso no mundo corporativo e é impressionante como as pessoas negam a manipulação de um gestor por estarem totalmente envolvidas na técnica dele.

E ai de quem descobrir a tática do ditador corporativo: não só vai ser sabotado pelo chefe, como vai ser totalmente excluído pelos demais.

Não por acaso os dissidentes da Coreia do Norte são tidos como traidores da nação pelo governo e pelos compatriotas.

Não é difícil identificar o tipo: imagine aquele profissional que age como um ditador. As pessoas fazem de tudo para agradar a ele, mesmo sabendo que trata-se de um déspota.

Ou aquele que é conhecido na empresa toda pela rotina de humilhar, gritar e diminuir pessoas do seu time, inclusive em frente a fornecedores, sem que ninguém tenha coragem de intervir. Pelo contrário: um séquito de fiéis se aglomera em torno dele.

As técnicas que ele usa são as tradicionais de lavagem cerebral mesmo: ele destrói as crenças da pessoa para poder construir a crença que ele quiser.

Por exemplo: ele sempre elege um funcionário para ser o “cristo” da vez. Critica tudo o que é feito, humilha perante o grupo, grita. Deixa o funcionário extremamente inseguro e vulnerável.

E assim este funcionário com pavor de perder o apoio do chefe, ou até mesmo o emprego, começa a acreditar que não é bom o suficiente e passa a agir como um verdadeiro súdito, ignorando os abusos e fazendo qualquer coisa para ter a aprovação do tirano.

Quando a técnica é empregada com sucesso em uma pessoa da equipe, ele passa para a próxima vítima. O pior é que esse verdadeiro vilão corporativo só age assim pois duvida da sua própria capacidade de liderança. Ele tem pavor de não ser aceito pela equipe e por isso impõe o medo como técnica de domínio sobre o grupo.

Para você ter uma ideia do quanto isso é grave: ele é o tipo de chefe que não valoriza um profissional pelo resultado que traz, mas pelo alto teor de submissão.

Para se defender você deve fazer o jogo dele, infelizmente. Trate-o como se ele fosse o tal. Deixe ele acreditar nisso. Assim as chances dele te atacar diminuem.

Uma vez protegido duas coisas podem acontecer: ou você busca mudar de área para escapar dessa situação, ou você espera, porque gente assim

não costuma durar muito em cargos de liderança.

Por fim, entenda que tem gente com um senso crítico menos apurado que vai cair nessa técnica de domínio. A maioria das pessoas cai. Não se sinta mal por não ser parte da maioria. Sinta-se bem por ser fiel aos seus princípios.

(1) Priscila Fiorin is LATAM Brand Marketing Manager at Autodesk. Originalmente publicado em LinkedIn.

 

 

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