MAIOR QUE O CRISTO!

Estátua gigante de orixás no Senegal? Nada disso!

Um post está viralizando no Facebook: nele o usuário Juliano Castro afirma existir uma “Estátua de Oxóssi, Oxum e Logun-Edé” no Senegal, “toda em bronze com 60 metros de altura”.

Veja o post:

Tentado pela informação, resolvi fazer uma pesquisa no Google — faça o teste você também: use os termos “estátua gigante orixás” — e dei de cara com várias fotos deste monumento:

A informação procede? Nada disso! Pesquisei por textos na Wikipédia em Inglês, Espanhol e Português. E em nenhum deles há qualquer menção de que essa estátua seria uma representação das entidades divinas da umbanda.

POLÊMICAS

A construção desse monumento sofreu críticas de todos os tipos; também pudera: construída por um governante tirano (o ex-presidente Wade), num país extremamente pobre (Senegal), a obra custou exorbitantes 27 milhões de dólares.

Idealizada pelo ex-presidente senegalês Wade, a estátua representa a “Renascença Africana” — isto é, esse novo continente africano, renascido após a independência de várias ex-colônias europeias.

Idealizada em 2006, sua construção iniciou-se em 2008 e concluída em 2010.

Aqui, uma polêmica: a Coreia do Norte — aquela mesma, onde os membros da família Kim são idolatrados como semideuses — foi responsável pela construção da monumental obra.

Ainda na fase de construção, em 2090, outra polêmica: o ex-presidente Wade teve que se desculpar com a população católica do Senegal, por dizer que aquela obra “era maior que o Cristo”. Provavelmente referindo-se a outra estátua famosa (o Cristo Redentor), Wade acabou sendo muito criticado por seus compatriotas.

E anos após a inauguração, outra polêmica: o mesmo Wade, agora ex-presidente, reivindicou “direitos autorais” sobre a estátua, visando abocanhar parte da receita proveniente da venda de ingressos para visitantes — sim, se você for ao Senegal e quiser ver de perto essa belezura, vai ter que pagar!

Por fim, as mais recentes polêmicas: feministas acusam a obra de ser “machista” — a mulher é retratada em trajes, digamos, pouco recatados — e “sexista” — o fato da mulher estar, fisicamente, num “patamar” mais inferior ao do homem, representaria a intenção de “rebaixar a mulher a um papel inferior e de subordinação” ao patriarcado.

Besteira: o que se tem ali é a representação da África em três estágios distintos.

No começo, a “Mãe África”, que pariu a humanidade — que se espalhou pelo mundo, ao longo dos séculos — e por fim, acabou sendo “explorada” por seus próprios filhos (colonização europeia).

No meio, temos a atual África, representada pelo “Homem Guerreiro” — numa alusão ao presente de guerras e conflitos por independência ou desmembramento de diversas ex-colônias.

E no alto, temos a “nova África”, representada pela “Criança Excelsa”: um novo continente que já nasceu, que tem um belo futuro pela frente, mas que ainda é frágil, e precisa de proteção.

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