10 (dez) modinhas que só quem vive(u) em Campo Grande/MS pode (ou não) explicar

Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul (e nem ouse nos confundir com o Mato Grosso do Norte, viu?), é uma cidade centenária, que conserva muito do ar interiorano, mas que flerta com o life way de grandes cidades brasileiras.

Mas tem certas modinhas, que só quem vive ou viveu em Campo Grande, pode explicar…


1 – Bailão Chamamezeiro

Grupo de Chamamé: o ritmo correntino já foi “febre”, no fim da década de 90

Mas se tem uma coisa que é a C-A-R-A de Campo Grande, é o tal do chamamé: um ritmo correntino (da região de Corrientes), de compasso ternário, que graças à proximidade com o Paraguai, acabou se espalhando pelo sul do antigo Mato Grosso.

Boa parte da “febre chamamezeira” que tomou conta de Campo Grande, na década de 90, deve ser creditada ao estrondoso sucesso de grupos como Canto da Terra, Alma Serrana e Tradição (esse último, onde Michel Teló foi revelado).

Esses grupos conseguiram atualizar os antigos ritmos musicais (polca paraguaia, chamamé e rasqueado; além dos tradicionais gaúchescos, como vaneirão e bugio), adicionando guitarras e baixos elétricos aos tradicionais instrumentos que caracterizavam tais estilos musicais (a harpa, no caso da guarânia, chamamé e polca; o acordeon e gaita ponto, para os gaúchos vaneirão, bugio e vaneira).

Na época, era comum formarem-se filas gigantescas, com pessoas vestidas à caráter — leia-se: calça jeans, camisa listrada, chapéu de aba larga e bota de cano longo) — para dançarem durante toda a madrugada. É isso mesmo: naquela época, não tinha essa coisa de “showzinho” de uma hora e meia, não; cada grupo tocava por até quatro horas!!!

Os melhores bailes eram aqueles promovidos no Clube Estoril, Clube União dos Sargentos e Círculo Militar. Para os “menos afortunados”, restava o velho Clube do Cowbói e Clube Surian.


2 – Baladas Teens

Antes do sertanejo universitário se tornar uma praga febre, Campo Grande já experimentou uma fase, digamos, mais “cosmopolita”: a Belle Epoque das danceterias noturnas, onde a balada tocava muito “tuts-puts” muita música eletrônica. Quem tem mais de 30 anos, certamente vai se lembrar: Mr. Dan, Limit, D-Edge… a região do Chácara Cachoeira tremia (literalmente) com o som dessas baladas.

E o mais bacana dessa época, é que surgiram as chamadas “Baladas Teens”: as boates abriam aos domingos, por volta das 18hs e encerravam suas programações às 22hs, apenas para os adolescentes menores de 18 anos.

Hoje, quem passa pela Costelaria do Gaúcho Gastão, lembra-se com saudades, das baladas da LIMIT. A D-Edge, se mudou de mala e cuia para Sampa — e está aberta, até hoje — onde se tornou referência nesse segmento.

 

Feirona Central, antes de se mudar para o endereço atual. (Créditos: Roberto Higa/Reprodução: G1/TV Morena)

3 – Sobá na Feirona

Se você nasceu ou se mudou para Campo Grande, após a Feira Central ter se mudado para a atual localização (na região da antiga Ferrovia NOB), sinto lhe dizer: você J-A-M-A-I-S terá a oportunidade de se acotovelar em barracas pequenas (mas aconchegantes), quando a feirona funcionava ali na Abrão Júlio Rahe (entre a Pedro Celestino e José Antônio).

Era um tempo em que ninguém cogitava a construção daquele Templo da Universal. No sábado, de manhã, a sombra das mangueiras com o calor do asfalto, tornava a tarefa de comer um sobá, uma experiência única (e inesquecível).

Hoje em dia, o raio gourmetizador atingiu em cheio às sobarias da Feirona: você paga muuuuuito caro, para comer uma comida que se tornou sucesso, por ser simples, gostosa e barata.


4 – Fila em Fast Food

Tudo que é “novidade”, vira “modinha”. E sinônimo de modinha é FILA.

Ah sim: reza a lenda que o primeiro franqueado do Mc Donald’s tinha um contrato que lhe garantia exclusividade (e depois, apenas preferência) na abertura de restaurantes da rede de fast food em todo o estado. Até por isso, ele jamais abriu outras filiais: e por isso, a ÚNICA loja do Mac em todo o MS, era o do Shopping Campo Grande.

Com isso, dá pra imaginar o tamanho das filas, né? Eram enoooooooormes.

Acho que isso até possibilitou o surgimento de outros “fast-foods”, que se tornaram verdadeiros CLÁSSICOS para quem mora em Campo Grande: o Áquila’s, o Canil e o mítico VERDÃO DA JÚLIO DE CASTILHO (esse merece um post exclusivo… hehehehe).

Ainda segundo a mesma lenda, foi graças a uma treta judicial, que a matriz do Mc Donald’s rompeu o contrato e encampou a referida loja; e logo após, abriu outras filiais (primeiro, o drive thru da Afonso Pena; depois as lojas nos outros Shoppings da cidade; e por último, a filial da Av. Mato Grosso).

E outras redes (yeeeeeeeeeeeees) se instalaram na cidade, com destaque para o aguardado Burger King (que chegou primeiro aos nossos vizinhos paraguaios, lá no Shopping China de Pedro Juan Caballero).


5 – Violadas Agrouniversitárias

Registro de uma violada: o cantor Munhoz (da dupla com Mariano), em início de carreira.

Eis aqui o embrião do dito “sertanejo universitário”: as famosas violadas, promovidas por acadêmicos de cursos ligados à agropecuária (notadamente, a Veterinária da Uniderp; a Agronomia da UCDB), acabaram se tornando uma referência de diversão.

Tudo começou, com as “barracas universitárias”, durante a Expogrande: eram “baladas paralelas” aos shows que aconteciam durante a Exposição. O interesse dos acadêmicos em montarem tais tendas, era arrecadar fundos para suas festas de formaturas. A coisa, contudo, tomou corpo.

Daqui a pouco, alguns promoters enxergaram a oportunidade de negócios, e passaram a produzir “violadas regulares” (aconteciam, por exemplo, uma vez por mês), quase sempre em chácaras ou sítios próximos de Campo Grande (a distância do centro era proposital: diminuía os problemas com a polícia, em razão do barulho e confusão que ocorriam em tais festas).

Muitas duplas que despontaram no cenário nacional, começaram sua carreira, tocando em tais violadas: Maria Cecília e Rodolfo (eram colegas de faculdade), João Bosco e Vinícius, Munhoz e Mariano, etc.

Isso foi o pontapé inicial para as chamadas…


6 – Baladas Sertanejas

A famosa “barraca da veterinária” na Expogrande, pode ser considerada a precursora das baladas sertanejo-universitárias.

Era uma questão de tempo, que algum empresário mais endinheirado enxergasse uma oportunidade de ganhar dinheiro com todo esse “movimento sertanejo”. E isso aconteceu, quando as primeiras casas noturnas especializadas em sertanejo surgiram. Notadamente, a Valley. Mas na esteira, vieram a Woods, a Room1, Bartholomeu.

Aliás: a Woods merece uma menção nada honrosa, nesta lista. Filial de uma rede que se notabilizou em cidades como Florianópolis e São Paulo, a casa chegou em Campo Grande, tendo como sócios o ídolo-local Michel Teló e o cantor Sorocoba. No começo, a fila de espera para se entrar ultrapassava DUAS HORAS. Não tardou a pipocar reclamações de que a casa era “elitista” e discriminava pessoas.

Mas a pá de cal foi, sem sombra de dúvidas, o episódio que ficou conhecido como a “Guerra das Garrafas“, durante o show da banda Luxúria. A imagem da casa ficou de tal modo arranhada, que poucos meses depois, acabou fechando as portas, de forma melancólica (contrastando com toda a pompa e circunstância com que foi inaugurada).


7 – Conveniência de Posto

Em 2006, eu tive a oportunidade de circular pelo Vale do Paraíba e periferia de São Paulo; naquela época constatei que um hábito (que até então, julgava tipicamente, campo-grandense) era comum em outras regiões do país: o tal do “beber em posto de gasolina”.

A diferença residia, basicamente, no ESTILO MUSICAL que tocava nos carros estacionados no pátio do posto: lá, muito Pagode e HipHop; cá, Sertanejo. Mas em todas as situações, o intuito da galera era fazer o chamado “esquenta”: encher a cara (a bebida no posto, quase sempre, é muuuuito mais barato que a bebida vendida nas casas noturnas), para já chegar “calibrado” na balada.

Só que em Campo Grande, a coisa ganhou um upgrade: a conveniência de posto passou a ser a PRÓPRIA BALADA. Não raro, houve um tempo em que era comum TER MESAS para se sentar e beber; em algumas, tinha até mesmo MÚSICA AO VIVO, com alguma dupla sertaneja iniciante.


8 – Comida Mexicana

Existe uma lenda — que acabou eternizada por um empresário, que numa entrevista, revelou-se frustrado com a cidade — de que em Campo Grande, só três tipos de empreendimentos dão certos: comida, farmácia e loja de colchões. Se tal afirmação é cientificamente verdadeira, não sabemos; mas que tem um fundo de verdade, isso tem.

Volta e meia, algum tipo de “comida” vira modinha em Campo Grande; quase sempre, o que se assiste é um verdadeiro oportunismo, de empresários acomodados, que se comportam como verdadeiras “marias-vão-com-as-outras”: se fulano fez, e está dando certo, vou fazer também!

E assim que virou moda, a tal de Comida Mexicana. Sempre existiu um estabelecimento que vendia esse tipo de comida (ali, na Pedro Celestino). Mas foi só abrir um Restaurante com decoração temática mexicana, que pronto: virou moda. E na esteira, mais outros dois restaurantes surgiram. E como toda modinha, um dia deixa de ser novidade, e por fim, acaba… alguns deles já fecharam as portas.

Mas as tais “palletas mexicanas”, ainda sobrevivem…


9 – Hamburguerias Gourmets

No item 4, falamos de como Campo Grande acabou ganhando lanchonetes tradicionais, que surgiram num tempo em que as redes internacionais de fast food não existiam por aqui (ou até existiam, mas eram sempre cheias, com lanches caros e pouco saborosos). Eu mesmo, era cliente fiel do Canil Lanches; e por conta da minha fobia, eu só frequentava lá, no meio da semana, quando estava bem vazio (coincidentemente, era o dia em que o Michel Teló também frequentava; isso antes dele se mudar para SP, ser artista global e casar-se com a Thaís Fersoza, e ter um filho com ela).

Contudo, de uns anos para cá, temos assistido a um novo modismo: as hamburguerias gourmets. Se você quer pagar mais caro, para comer hambúrgueres não-industrializados, só porque são assados na brasa, Campo Grande é o lugar para isso.

Mas saiba, que as lanchonetes tradicionais já faziam isso (hambúrguer feito artesanalmente); com a diferença, que eram fritos na chapa (e na


10 – Tabacarias

Eis aqui, algo que eu preciso pesquisar melhor (existe isso em outros lugares do país?): a modinha mais recente em Campo Grande são as Tabacarias.

Na teoria, tais estabelecimentos são lugares em que deveriam ser vendidos tabacos e derivados, aos amantes da prática do narguilé. Na prática, contudo, tais casas funcionam como verdadeiros “fumódromos”, onde turmas de jovens vão para beber e fumar (e no meio de tudo, socializar e paquerar).

PS: se você tiver fotos antigas, dos lugares citados nesta matéria, por favor, nos envie!!! Entre em contato, via Fale Conosco, que nós responderemos!

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Comentário

Teamajormar Almeida

Advogado. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho.

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