#PrecisamosFalarDeSuicídio

Desembargador teria se suicidado; mídia ignora o acontecido

Alguns veículos de imprensa paranaenses noticiaram a morte do desembargador Carlos Eduardo Andersen Espínola, ocorrida na tarde do último domingo (18/03/2018), na cidade de Curitiba/PR.

Em comum, todos limitaram-se a noticiar a morte, sem adentrar nos detalhes do caso. O G1 Paraná, por exemplo, limitou-se a dizer que o “corpo de Carlos Eduardo Andersen Espínola foi encontrado na tarde deste domingo (18), no bairro Alto da Glória”. Já a Gazeta do Povo, lançou mão de uma manchete mais lacônica: “Desembargador Carlos Eduardo Espínola morre aos 70 anos”. Já o site Conjur, ao noticiar a morte, usou a seguinte ressalva: “A causa da morte não foi divulgada.

Foi nesse momento que DIREITOFACIL.NET passou a desconfiar que o real motivo da morte estava sendo deliberadamente ignorada pelos veículos de imprensa.  Só não tínhamos a certeza do porquê. Mas quem atua na imprensa sabe que quando a “causa da morta não é divulgada”, é porque há o interesse de se ocultá-la. 

Antes mesmo que DIREITOFACIL.NET conseguisse contatar todos os cartórios de registro civil de Curitiba/PR, para obter cópia da certidão de óbito do ilustre Desembargador, o blog Diário do Centro do Mundo desfez o mistério: “de acordo com familiares, o desembargador sofria de depressão e cometeu suicídio com uma arma de fogo“.

E foi assim que mais um caso de suicídio foi abafado pela imprensa que insiste em adotar um “código de regras” não escritas, mas fundamentadas no politicamente correto. DIREITOFACIL.NET escolheu levantar a bandeira #PrecisamosFalarDeSuicídios.

Não porque falar de suicídio dê Ibope ou gere mais cliques; mas porque acreditamos que falar de casos assim, ajuda a desfazer mitos e derrubar barreiras que impedem as pessoas de discutir esse tema, de forma aberta e sincera.

Há muita confusão e ignorância em torno deste tema: a depressão já é a 3ª maior doença do século. Números da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que em poucos anos, a depressão ganhará status de pandemia — uma epidemia em escala global. A depressão não escolhe idade, gênero, classe social ou nível de escolaridade; mas entre as consequências mais preocupantes da doença, está o afastamento do trabalho — que gera grande despesa para a seguridade social — e a ocorrência de suicídio. 

E este caso seria mais uma prova de que não existe um “padrão” entre as vítimas — desfazendo falsas impressões de que suicídios ocorrem apenas entre os “mais jovens”, porque decorreriam, principalmente, dos dilemas da juventude — mito esse, que ganhou ainda mais força, após o sucesso avassaladora da série 13 Reasons Why.

No caso do Des. Carlos Eduardo, tínhamos um senhor bem sucedido profissionalmente, que gozava de plena saúde, muito querido na sociedade e em todo meio jurídico paranense. E justamente essa aparente fachada de normalidade, acabou por ocultar eventuais sinais que ele possa ter dado sobre suas intenções suicidas.

Relembre neste texto, o que falamos sobre suicidas em potencial — saber reconhecer tais sinais pode ser a diferença entre vida e morte.

OBTUÁRIO DISTRIBUÍDO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ:

O desembargador Carlos Eduardo Andersen Espínola foi encontrado morto no início da tarde deste domingo (18) em Curitiba.

Segundo informações da Polícia Militar, ele havia passado a noite sozinho no apartamento na Rua José de Alencar, no Bairro Alto da Glória e foi encontrado morto por familiares. Equipes do 20º BPM (Batalhão da Polícia Militar) prestaram apoio à ocorrência. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba.

Carlos Eduardo Andersen Espínola, filho de Augusto Cesar Viana Espínola e Edi Andersen Espínola, nasceu no dia 5 de novembro de 1948, em Curitiba.

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, turma 1972. Foi aluno da 1ª Turma (pioneira) da Escola da Magistratura do Paraná (1983/1984).

Ingressou na magistratura paranaense após concurso público, e foi nomeado no dia 29 de dezembro de 1986 juiz substituto da comarca de Paranavaí. Em 20 de dezembro de 1988 foi nomeado juiz de direito e exerceu a função nas comarcas de Salto do Lontra, Paranacity, Paranavaí e Curitiba.

No dia 13 de agosto de 2012 foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, pelo critério de antiguidade.

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