Bolsonaro empregava parentes em gabinete (e todos faziam o mesmo)

Bolsonaro empregava parentes em gabinete (e todos faziam o mesmo)

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O lead (manchete) da matéria publicada pelo jornal O Globo, no último domingo (03/12/17), parecia lacradora tinha tudo para ser arrasadora:

Bolsonaro empregou ex-mulher e parentes dela no Legislativo

Deputado e filhos abrigaram em gabinetes Ana Cristina, seu pai e sua irmã

Certamente, a reação de seus detratores foi algo parecido com isso:

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OMG… BOLSOMITO? NEPOTISMO? NON CREO!

Passado o impacto (negativo) inicial, basta avançar na leitura da matéria para nos deparamos com este trecho:

O deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus filhos empregaram, nos últimos 20 anos, uma ex-mulher do parlamentar e dois parentes dela em cargos públicos em seus gabinetes.

Pausa para uma interrogação: nos últimos 20 anos?

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Isso significa que estamos tratando de um intervalo de tempo compreendido entre 1997 e 2017. Certo? Certo. Sigamos na leitura da “reportagem-denúncia”:

Ana Cristina Valle, ex de Bolsonaro e mãe de Jair Renan, o quarto filho do presidenciável; a irmã dela, Andrea, e o pai das duas, José Cândido Procópio, ocuparam as vagas a partir de 1998, ano de nascimento de Jair Renan.

Pronto: agora entendemos o objetivo de O Globo:

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Ebaaaaaa… F******* o Bolsomito! 

Ao reforçar que Ana Cristina era casada com Bolsonaro, a matéria quis ressaltar o vínculo de 2° grau (sogro) e 3° grau (cunhada) colateral de Jair Messias com os nomeados. 

A intenção fica evidente: acusá-lo de nepotismo — sem o fazê-lo. Pelo menos, não diretamente).

Antes disso, preciso citar uma estatística: uma pesquisa de 2010, aferiu que 44% dos usuários do “Google Notícias” se informavam apenas pelo título das matérias. Ou seja: quase metade se informava APENAS PELA MANCHETE, sem dar-se ao trabalho de LER e CRITICAR as informações contidas no texto.

E isso é um problema. O então candidato (e atual presidente dos EUA) Donald Trump, já se colocava como o principal combatente da chamada “indústria de fake news“: emissoras de tevê (como CNN) e sites (como o Buzzfeed) que publicam notícias, sem o devido cuidado de apuração das informações veiculadas.

Não por acaso, O GLOBO praticou o mais rasteiro e rastaquera dos tipos de jornalismo: o caça-cliques.

As Organizações Globo possuem um quase-monopólio da informação: basta constatar que apenas a Globosat, sua operadora de tevê fechada, detém mais de 70% dos canais disponíveis nos serviços de assinatura, no Brasil; e na TV aberta, a TV Globo consolidou a liderança isolada de audiência (sua média diária é a soma das audiências das 2ª, 3ª e 4ª colocadas — SBT, Record e BAND).

Logo, tudo que é veiculado em seus veículos de imprensa — colocamos aqui o portal Globo.com, passando por jornais diários (e seus respectivos sites) O GLOBO e EXTRA; a revista semanal ÉPOCA; bem como o G1, que concentra os noticiários produzidos por todas suas afiliadas locais e pela GLOBONEWS — ganha repercussão instantânea, sendo replicada por outros portais de notícias.

E com milhões de seguidores em suas redes sociais, qualquer notícia que fale de Bolsonaro e filhos, ganha repercussão imediata. E parece ser isso o que incomoda a GLOBO.

Mas eis a manipulação aética dos fatos pelo repórter que assina a matéria: ele omite intencionalmente a data final do vínculo funcional dos “denunciados”, para informar en passant que nenhum deles mais trabalha para Jair:

Ana Cristina e José Cândido não estão mais nos gabinetes da família, mas Andrea continua no do deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável.

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Repararam que O GLOBO parece aquele jogador de futebol que vive tentando cavar pênalti que não existe?  Sigamos:

Embora esteja lotada no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ela não trabalha no local.

O jornalista parece desconhecer — SQN! ele sabe sim, mas age com deslealdade jornalística, ao ignorar tal possibilidade — que pessoas têm direito à férias ou licença médica (exemplos legais para não estarem trabalhando).

Mas o intrépido jornalista, prossegue relatando sua brilhante “apuração” dos fatos:

O GLOBO a procurou duas vezes no gabinete nos últimos dias, e os funcionários disseram desconhecê-la. A ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina, alegou que a irmã, assim como o pai, sempre trabalhou em Resende, uma das bases eleitorais de Bolsonaro.

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Os funcionários disseram desconhecê-la”… hein? Como é que é? 

Que funcionários: os que trabalham no gabinete do Deputado Flávio Bolsonaro ou os que trabalham para algum dos inúmeros opositores do mesmo — e que não perderiam uma oportunidade como essa para desgastá-lo perante a opinião pública?

Não ficou claro. E não adianta protestar, pois o jornalista irá sapecar aquele dispositivo constitucional que garante o sigilo das fontes, para não dizer quem é (são)… mais uma desinformação jogada dolosamente, no meio do texto.

Mas não vamos confundir “ardil” com “ignorância”. É óbvio que o jornalista não iria correr o risco de ser processado judicialmente: ele conclui a matéria, com aquilo que já era o óbvio ululante — Bolsonaros (nem Jair, nem Flávio, nem Eduardo, nem ninguém) praticou irregularidade alguma!

Só que tal informação — mais uma vez, para não ser perder o (mau) hábito do jornalista — ficou “jogada” no meio de tantas outras “desinformações”:

O trabalho de assessores nas bases dos parlamentares é permitido.

Ou seja: a matéria pretendeu, com sua manchete, induzir o leitor preguiçoso (aquele que se informa apenas pelos “títulos” e “substítulos” de matérias) a crer que Bolsonaros praticaram NEPOTISMO.

Contudo, o jornal — fosse sério — teria feito um levantamento de todos os parlamentares que, na mesma época, fizeram o mesmo que Bolsonaro fez (e posso garantir: todos faziam!).

Como se vê, tal medida não foi tomada, porque o objetivo da matéria, indisfarçavelmente, era atingir o presidenciável Jair Messias Bolsonaro, naquilo que é seu principal “ativo político”: sua honra e fama de “incorrupto”.

Prova disso é que O GLOBO, só ao final do texto, deixa claro que não houve irregularidade alguma:

Apesar dos quase 20 anos de nomeações, os casos não podem ser tecnicamente enquadrados como nepotismo.

A contratação de parentes foi normatizada por uma súmula do Supremo Tribunal Federal, em 2008. Os casos da família Bolsonaro ocorreram antes disso. Andrea, pelo grau de parentesco com Flávio Bolsonaro, não se enquadra na proibição expressa na súmula do STF.

giphyOu seja: assim como no caso do “grampo de Joesley”, o que era bomba, se revelou apenas um traque de festa junina, que só causa susto em quem estiver “distraído”.

Contudo, este episódio é sintomático: mostra que o establishment midiático não tem pudor algum em tentar prejudicar Bolsonaro e sua pretensão eleitoral.

A cada capa de revista, a cada matéria como essa, o bom jornalismo vai sendo sufocado, morto aos poucos.

Mas que tais jornalistas devem chorar copiosamente, a cada nova rodada de pesquisas de intenção de votos, que mostram que há um movimento crescente de eleitores em Bolsonaro… ah, devem chorar sim!

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