Agente da PRF discute no trânsito, atira, mata uma e fere duas pessoas

morte-no-transito-fwNo começo da manhã de ontem (31/12/2016), uma discussão de trânsito acabou em tragédia: o empresário Adriano Correia do Nascimento (33 anos) morreu em decorrência de tiros efetuados pelo policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon (46 anos).

Segundo o delegado civil responsável pelo caso, Dr. João Eduardo Davanço, tudo aconteceu em razão de uma “fechada” que a Hilux conduzida por Adriano, teria dado na Pajero conduzida pelo policial rodoviário federal.

O agente da PRF estava se dirigindo para seu serviço — informações dadas pela Superintendência da PRF em MS dizem que o servidor está lotado em uma “unidade de fronteira” — e efetuou os disparos com arma pertencente à corporação. Em razão disso, procedimento administrativo já foi instaurado para apurar a conduta do agente público, podendo resultar até mesmo, em sua demissão.

Um morto, dois feridos

Além de Adriano, estavam na Hilux, Agnaldo Espinosa da Silva  e seu filho de 17 anos, que ficaram feridos. Agnaldo, em razão da gravidade dos ferimentos, foi levado para a unidade hospitalar. O adolescente foi ferido por estilhaços de bala e permaneceu no local do crime — é ele quem aparece sentado ao lado do carro, em diversos vídeos compartilhados nas redes sociais.

Versão do PRF

O delegado João Eduardo Davanço, em coletiva, relatou que o policial estava indo trabalhar no posto da Rodoviária de Campo Grande, quando teria sido fechado pelo condutor da Hilux, na Avenida Ernesto Geisel, iniciando uma perseguição, visando a abordagem do veículo.

Segundo o agente da PRF, sua intenção era parar o veículo e averiguar se o condutor (no caso, Adriano) estaria alcoolizado.

Para o delegado, o policial rodoviário afirma ter se apresentado como policial, desde o primeiro momento, dando ordem para que eles parassem. Durante a abordagem, apenas Agnaldo e seu filho teriam descido da Hilux, tendo retornado logo em seguida ao veículo, quando o Adriano teria arrancado com o carro, em direção do policial, na tentativa de atropelá-lo.

Foi essa a versão que Su Moon apresentou, para sustentar que sua reação foi meramente instintiva — e que ao atirar, teria agido em legítima defesa.

Sete Disparos

Em uma perícia preliminar, informações dão conta de que foram encontrados 07 (sete) marcas de tiro na lataria da Hilux. Ainda não se tem detalhes da “cinemática” (direção: de frente para trás ou de trás para frente) dos disparos, de modo a se corroborar ou contradizer a versão do policial.

A única certeza que se tem é que Adriano (o condutor da Hilux), foi atingido por três disparos: dois tiros no peito e um pescoço. Em razão dos ferimentos, Adriano perdeu a direção da Hilux, colidindo contra um poste.

Percebendo a gravidade do desfecho, só então Su Moon teria acionado a PM (Polícia Militar), que conduziu todos os envolvidos para a Delegacia de Pronto Atendimento Central (DEPAC).

Prisão em Flagrante

Após prestar depoimento, o policial rodoviário foi conduzido ao IML (Instituto Médico Legal) para realização de exame de corpo de delito, permanecendo preso em flagrante. Até o momento, não houve decisão judicial que relaxasse a prisão ou concedesse liberdade condicional ao agente da PRF.

Versão das Vítimas

Segundo o delegado Davanço, o próximo passo é aguardar a melhora do estado de saúde de Agnaldo e seu filho adolescente. Ambos encontram-se internados, em recuperação, na Santa Casa de Campo Grande — mesmo hospital para onde Luciano Huck, Angélica, seus filhos e babás foram levados, após a queda do avião em que estavam.

Segundo boletim médico, o estado de saúde de pai e filho é estável, sem risco de vida. Somente após a alta médica é que os dois deverão ser ouvidos pela Polícia Civil. Até lá, única versão com que a polícia está trabalhando é a fornecida pelo agente da PRF.

 

 

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Redação DireitoFácil.NET

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